Hotel das Ideias

Ambiente acolhedor para reflectir…

Arquivos para Agosto 1st, 2008

Mais novidades preocupantes sobre o “Janeiro”

Publicado por pbessa em Agosto 1, 2008

PORTUGAL DIÁRIO noticia que os trabalhadores d’O Primeiro de Janeiro não faltaram hoje e recusaram baixar os braços. Adianta que, hoje de manhã, a Inspecção-Geral do Trabalho regressou ao PJ e já anunciou que vai autuar a empresa por despedimento ilícito. 

De realçar, ainda, um novo dado apresentado por esta notícia e que a seguir se transcreve:

“A SEDICO, Serviços de Edição e Comunicação, é a empresa que paga o vencimento aos jornalistas, ainda que a sua ligação com o proprietário Eduardo Costa seja um mistério. No mês de Abril, terá recebido apoios do QREN, mas as verbas não chegaram ao «Primeiro de Janeiro»”.

É importante que se investigue a veracidade desta informação. Desta vez, até ao fim…

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Novidades sobre O Primeiro de Janeiro

Publicado por pbessa em Agosto 1, 2008

Acabo de ler algumas novidades no DIÁRIO DE NOTÍCIAS sobre O Primeiro de Janeiro que desconhecia. Afinal, parece que o PJ vai ser gratuito a partir de Setembro e que o novo projecto terá sido, ontem mesmo, apresentado aos elementos do departamento comercial.

A confirmar-se a veracidade desta notícia, é mais um facto no mínimo chocante e que vem provar o estado decadente em que se encontra a classe jornalística. Afinal, os Jornalistas eram os únicos que não sabiam de nada. E, pelos vistos, são os únicos que vão para a rua, sem direito a indemnização, com a promessa – ou a ilusão?… – de que poderão voltar em Setembro, para a nova empresa.

Daqui se conclui que os Jornalistas são, hoje em dia, o elo mais fraco das empresas de Comunicação Social. Quem disse que são precisos jornalistas para se fazerem jornais?…

Como diz o povo, “o corno é sempre o último a saber”. E Manuel Pinto de Azevedo deve estar a dar voltas no túmulo com o que lhe fizeram ao jornal e aos jornalistas…

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Dez perguntas sobre O Primeiro de Janeiro

Publicado por pbessa em Agosto 1, 2008

Hoje acordei e, embora raramente me lembre dos meus sonhos, penso que consegui sonhar com um Primeiro de Janeiro cheio de vida em Setembro. Desci à rua e, como habitualmente, dirigi-me à papelaria que – sorte a minha – fica no mesmo prédio. Mais ansioso do que o normal,  comprei os jornais e de imediato dirigi a minha atenção para a primeira página d’O Primeiro de Janeiro onde encontrei uma única referência ao momento que atravessa, na primeira página, sob a forma de EDITORIAL. Um “Até para a Semana” que, perdoe-me a Nassalete Miranda, me deixou desconfiado. Talvez seja a experiência de ter vivido duas situações idênticas, no passado, aquando do encerramento da Rádio Comercial Norte e d’O Comércio do Porto (eu sou assim, parece que atraio as desgraças). 

Na minha cabeça, como na de muitos outros, saltitam perguntas que me intrigam:

1º Porquê parar, se é só para lançar um novo grafismo? 

2º O que tem a dizer o proprietário do jornal, Eduardo Costa, sobre este assunto? Onde está ele?

3º Porquê – a acreditar nas notícias hoje publicadas – trocar fechaduras e impedir os funcionários de entrarem nas instalações da empresa? (isso nunca aconteceu no Comércio do Porto, apesar de, esse sim, ter mesmo fechado…)

4º Porquê classificar de “especulação gratuita” a manifestação de receios sobre o fecho definitivo do jornal, aliás fundamentada na experiência recente da cidade? 

5º Será legalmente possível aos funcionários accionarem um fundo de garantia salarial? (o Sindicato dos Jornalistas diz que não…)

6º Porquê dizer que “nos querem fazer invisíveis”, garantindo que “nós existimos”, mas ao mesmo tempo tornar o jornal invisível aos leitores, pelo menos durante o mês de Agosto…?

7º Por que motivo a direcção não se demitiu, que se saiba, perante os últimos episódios, assumindo o papel que caberia ao proprietário?

8º Onde esteve, até agora, o Sindicato dos Jornalistas?

9º Porquê insistir nesta política de aparecer só depois de as desgraças terem acontecido?

10º Porquê este súbito apertar do cerco fiscalizador ao Primeiro de Janeiro, depois de as autoridades responsáveis terem fechado os olhos durante anos a fio?

São demasiadas perguntas que estão por responder. Não a mim, mas aos trabalhadores (jornalistas e não jornalistas), afinal as primeiras vítimas deste processo. Não é “especulação gratuita”, é o imenso desejo de defender a classe, já de si tão maltratada, e a Liberdade de Imprensa. No fundo, é o desejo de defender a Cidade do Porto e a honra daqueles que, há 140 anos, concretizaram o sonho de criar um diário de grande informação.

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As minhas reflexões sobre O Primeiro de Janeiro

Publicado por pbessa em Agosto 1, 2008

O Público online publica mais informações sobre a suspensão do jornal O Primeiro de Janeiro sob o seguinte título:

Jornal o Primeiro de Janeiro não sai sábado e a redacção foi demitida em bloco

Estou triste pelos meus camaradas, pelos meus amigos. Estou triste pelos leitores. Acima de tudo estou triste por ver jornalistas liderarem processos que ajudam a liquidar a profissão. Sinceramente, sinto-me enojado. Espero estar redondamente enganado e, se assim for, terei todo o prazer em pedir desculpa.

Gostaria, também, de saber o que terão a dizer todos aqueles que, com nome e elevado prestígio na praça, aceitaram receber o Prémio Manuel Pinto de Azevedo, ao longo dos últimos anos, ignorando – consciente ou inconscientemente – uma realidade que era humilhante para muitos jornalistas.

Custou ver O Primeiro de Janeiro deixar a sua histórica sede na Rua de Santa Catarina, hoje transformada em Centro Comercial, e trocá-la por um armazém sem janelas e – lembro-me como se fosse hoje – com um rio que, em dias de “cheia”…, transbordava das tampas de saneamento e atravessava a redacção até pingar na porta da rua Coelho Neto.

Custou trocar a grandiosidade da porta grande por onde entrava, orgulhoso, na histórica sede, por uma pequena porta que era poiso de prostitutas.

Custou sentir que, por muito bom que fosse o trabalho desenvolvido, O Primeiro de Janeiro ia perdendo leitores e, sobretudo, prestígio e património.

E, hoje, custou ler notícias que há muito temia. Sobretudo porque me lembro que, um dia, senti um orgulho enorme ao entrar, jovem jornalista, pela porta grande do jornal que me ajudou a aprender a ler com as histórias do Princípe Valente. Por isso sempre exibi e exibirei, orgulhoso, O Primeiro de Janeiro no meu currículo. E agora, antes de dormir, espero conseguir sonhar esta noite com um Primeiro de Janeiro rejuvenescido e cheio de vida lá para Setembro.

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