
Hoje acordei e, embora raramente me lembre dos meus sonhos, penso que consegui sonhar com um Primeiro de Janeiro cheio de vida em Setembro. Desci à rua e, como habitualmente, dirigi-me à papelaria que – sorte a minha – fica no mesmo prédio. Mais ansioso do que o normal, comprei os jornais e de imediato dirigi a minha atenção para a primeira página d’O Primeiro de Janeiro onde encontrei uma única referência ao momento que atravessa, na primeira página, sob a forma de EDITORIAL. Um “Até para a Semana” que, perdoe-me a Nassalete Miranda, me deixou desconfiado. Talvez seja a experiência de ter vivido duas situações idênticas, no passado, aquando do encerramento da Rádio Comercial Norte e d’O Comércio do Porto (eu sou assim, parece que atraio as desgraças).
Na minha cabeça, como na de muitos outros, saltitam perguntas que me intrigam:
1º Porquê parar, se é só para lançar um novo grafismo?
2º O que tem a dizer o proprietário do jornal, Eduardo Costa, sobre este assunto? Onde está ele?
3º Porquê – a acreditar nas notícias hoje publicadas – trocar fechaduras e impedir os funcionários de entrarem nas instalações da empresa? (isso nunca aconteceu no Comércio do Porto, apesar de, esse sim, ter mesmo fechado…)
4º Porquê classificar de “especulação gratuita” a manifestação de receios sobre o fecho definitivo do jornal, aliás fundamentada na experiência recente da cidade?
5º Será legalmente possível aos funcionários accionarem um fundo de garantia salarial? (o Sindicato dos Jornalistas diz que não…)
6º Porquê dizer que “nos querem fazer invisíveis”, garantindo que “nós existimos”, mas ao mesmo tempo tornar o jornal invisível aos leitores, pelo menos durante o mês de Agosto…?
7º Por que motivo a direcção não se demitiu, que se saiba, perante os últimos episódios, assumindo o papel que caberia ao proprietário?
8º Onde esteve, até agora, o Sindicato dos Jornalistas?
9º Porquê insistir nesta política de aparecer só depois de as desgraças terem acontecido?
10º Porquê este súbito apertar do cerco fiscalizador ao Primeiro de Janeiro, depois de as autoridades responsáveis terem fechado os olhos durante anos a fio?
São demasiadas perguntas que estão por responder. Não a mim, mas aos trabalhadores (jornalistas e não jornalistas), afinal as primeiras vítimas deste processo. Não é “especulação gratuita”, é o imenso desejo de defender a classe, já de si tão maltratada, e a Liberdade de Imprensa. No fundo, é o desejo de defender a Cidade do Porto e a honra daqueles que, há 140 anos, concretizaram o sonho de criar um diário de grande informação.