Hotel das Ideias

Ambiente acolhedor para reflectir…

Arquivos para Outubro 14th, 2008

Um jornal de sarjeta…

Publicado por pbessa em Outubro 14, 2008

Estava eu no bar da Universidade e veio parar-me às mãos, trazido por um colega, um exemplar da edição de hoje d’O Primeiro de Janeiro. Por sinal, o histórico diário é agora “meio-gratuito / meio a pagar”, pois tanto os leitores têm que o comprar nas bancas como ele lhes vem parar às mãos de borla…

Permitam-me o parêntesis, mas se eu comprasse um jornal e, a seguir, o encontrasse a ser oferecido ficava furioso. No mínimo, sentir-me-ia desrespeitado enquanto leitor. No máximo, sentir-me-ia vigarizado enquanto cliente…

Mas, regressemos ao bar. Passei os olhos pelo “Janeiro”, que de O Primeiro de Janeiro já só tem o título… E lembrei-me do editorial de há quase três meses, quando a ex-directora, Nassalete Miranda, assegurava que o jornal regressaria em Setembro com um projecto inovador. Um editorial escrito no mesmo dia em que cerca de três dezenas de jornalistas foram escorraçados do seu posto de trabalho, com salários por receber e sem direito a indemnizações, sendo substituídos, dois dias depois, pelos “camaradas” d’O Norte Desportivo. E ainda por cima criticados, segundo me disseram, pela senhora ex-directora por se terem manifestado à porta da redacção.

Afinal, o novo projecto d’O Primeiro de Janeiro resumiu-se ao atirar de uma redacção inteira para a sarjeta, como se de água suja se tratasse… Jornalistas com anos de dedicação ao jornal, que foram maltratados e enganados. E, conforme eu previa, de então para cá nada mais aconteceu. Consta que a Justiça anda a dar em cima do patrão do “Janeiro”, mas o certo é que os jornalistas despedidos continuam a fazer das tripas coração para arranjarem um emprego, nem que seja atrás de um balcão, a bem da sua própria sobrevivência.

É triste este país em que vivemos. Não sei se Eduardo Costa, o tal patrão do “Janeiro”, já foi preso (ou melhor, sei que não foi). Não sei se Nassalete Miranda – que permanece em silêncio, salvo umas quantas reuniões à socapa – já tem emprego, indemnização e salários em dia.

A única coisa que sei é que, lamentavelmente, O Primeiro de Janeiro é hoje um jornal de sarjeta. E isso revolta-me!

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Mais um exemplo de mau jornalismo…

Publicado por pbessa em Outubro 14, 2008

Que o jornalismo em Portugal anda pelas ruas da amargura já eu escrevi aqui várias vezes. Mas, pior que mau jornalismo é a ignorância absoluta e o alarmismo estupidificante. O jornal Correio da Manhã dá hoje um exemplo flagrante ao destacar o seguinte título: “Supremo diz que feto de nove meses não é pessoa”.

Não sou advogado, mas fui jornalista durante quase 20 anos. E sei que a lei portuguesa refere que o ser humano só tem personalidade jurídica depois de nascer com vida. Sei ainda, e o Correio da Manhã também tinha obrigação de saber, que esta é uma lição do 1º ano do curso de Direito. Ou seja, mais básico não há…

Sendo assim, os juízes do Supremo tomaram a única decisão possível no caso em concreto. E o título da notícia revela-se, portanto, absurdo, mal intencionado, estupidamente alarmista e o exemplo perfeito do mau jornalismo.

Pior ainda essa mania que têm agora os jornais e as televisões de colocarem toda a gente a falar sobre todo e qualquer assunto, preferindo o caminho fácil da promoção da ignorância ao dever de informar e formar. É o que sucede com vários comentários à notícia em causa que podem ser lidos no site do Correio da Manhã.

Mas, a culpa não é do povo… A culpa é de quem continua a alimentar esta desorientação absoluta do jornalismo em Portugal, onde proliferam estagiários a fazerem o trabalho de jornalistas maduros. E onde alguns destes jornalistas maduros “venderam a alma” (entre outras coisas)…

Os outros, ou estão na “prateleira” ou no desemprego. Ou, então, tiveram que mudar de vida porque deixou de haver lugar para eles.

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A orientação espacial de homens e mulheres…

Publicado por pbessa em Outubro 14, 2008

Ora aí está a prova que faltava… Fiquei hoje a saber, na minha aula matinal, que existem, de facto, evidências científicas que comprovam diferenças na capacidade de orientação espacial de homens e mulheres. Isto não significa, porém, que as mulheres se percam mais no caminho. Apenas utilizam diferentes estratégias para conseguirem orientar-se no espaço.

A razão prende-se com a existência no cérebro masculino de uma área localizada no hemisfério direito que auxilia a orientação espacial dos homens, sem necessitarem de recorrer a pontos de referência. Ou seja, basicamente, nós – os homens – podemos encontrar o caminho de regresso a casa abstraindo-nos do que se passa à nossa volta (se bem que por vezes passam algumas coisas que dificilmente esquecemos, mas isso não é para aqui chamado…).

Quanto às mulheres, devido à ausência da referida área do hemisfério direito, recorrem à estratégia da memorização de pontos de referência para encontrarem o caminho. Uma loja (não estou a brincar, o exemplo foi mesmo dado na aula…), uma árvore, um determinado edifício…

Já agora, a propósito da mesma aula, fiquem também a saber que o nosso hemisfério esquerdo (de homens e mulheres) tem muito mais funções do que o hemisfério direito. E, curiosamente, quando ocorrem lesões ao nível do esquerdo, é frequente os indivíduos desenvolverem capacidades que desconheciam possuir: por exemplo, o jeito para a música ou para a pintura. Talentos que, pelos vistos, estavam “adormecidos” no hemisfério direito e que só por acidente se manifestam e desenvolvem.

E esta, hein?!…

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