Estava eu no bar da Universidade e veio parar-me às mãos, trazido por um colega, um exemplar da edição de hoje d’O Primeiro de Janeiro. Por sinal, o histórico diário é agora “meio-gratuito / meio a pagar”, pois tanto os leitores têm que o comprar nas bancas como ele lhes vem parar às mãos de borla…
Permitam-me o parêntesis, mas se eu comprasse um jornal e, a seguir, o encontrasse a ser oferecido ficava furioso. No mínimo, sentir-me-ia desrespeitado enquanto leitor. No máximo, sentir-me-ia vigarizado enquanto cliente…
Mas, regressemos ao bar. Passei os olhos pelo “Janeiro”, que de O Primeiro de Janeiro já só tem o título… E lembrei-me do editorial de há quase três meses, quando a ex-directora, Nassalete Miranda, assegurava que o jornal regressaria em Setembro com um projecto inovador. Um editorial escrito no mesmo dia em que cerca de três dezenas de jornalistas foram escorraçados do seu posto de trabalho, com salários por receber e sem direito a indemnizações, sendo substituídos, dois dias depois, pelos “camaradas” d’O Norte Desportivo. E ainda por cima criticados, segundo me disseram, pela senhora ex-directora por se terem manifestado à porta da redacção.
Afinal, o novo projecto d’O Primeiro de Janeiro resumiu-se ao atirar de uma redacção inteira para a sarjeta, como se de água suja se tratasse… Jornalistas com anos de dedicação ao jornal, que foram maltratados e enganados. E, conforme eu previa, de então para cá nada mais aconteceu. Consta que a Justiça anda a dar em cima do patrão do “Janeiro”, mas o certo é que os jornalistas despedidos continuam a fazer das tripas coração para arranjarem um emprego, nem que seja atrás de um balcão, a bem da sua própria sobrevivência.
É triste este país em que vivemos. Não sei se Eduardo Costa, o tal patrão do “Janeiro”, já foi preso (ou melhor, sei que não foi). Não sei se Nassalete Miranda – que permanece em silêncio, salvo umas quantas reuniões à socapa – já tem emprego, indemnização e salários em dia.
A única coisa que sei é que, lamentavelmente, O Primeiro de Janeiro é hoje um jornal de sarjeta. E isso revolta-me!
