Publicado por pbessa em Fevereiro 21, 2009
Porque o futebol é coisa de paixões irracionais, não é meu hábito chamar esse assunto para aqui. Mas, porque o serviço público de televisão e a competência no jornalismo são do domínio racional, e são por isso coisas muito mais sérias, não posso deixar passar em claro o que acabei de ouvir na RTP, da boca de um jornalista desportivo e de um comentador de futebol (provavelmente pago a peso de ouro…).
A propósito de um golo anulado ao Paços de Ferreira, os dois jornalistas da RTP afirmam que a decisão do árbitro foi errada. Embora reconheçam ter existido mão na bola de um jogador pacense, dizem que não foi intencional e, portanto, o golo deveria ter sido validado.
Não sei se o problema é os dois jornalistas serem anti-portistas (porque o FC Porto foi quem beneficiou do golo anulado) ou se é por simples incompetência. Passo a explicar, como se estivesse a fazê-lo para alguém muito “burro”… Aqui vai:
Quando a bola não vai no sentido da baliza (como era o caso, pois ia para fora) e a trajectória da mesma é desviada para o interior da baliza por um toque na mão (intencional ou não), o golo deve ser SEMPRE anulado.
É isso que dizem as regras do futebol. Mas, infelizmente, há quem não entenda ou, pior do que isso, não queira entender. Burrice? Não acredito. Ignorância? Talvez. Parcialidade? É muito provável.
Infelizmente, acontece no serviço público de televisão. Felizmente é de futebol que se trata.
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Publicado por pbessa em Fevereiro 12, 2009

Acabo de ler na Agência Financeira uma notícia sobre o crescimento de uma empresa nacional que, pelos vistos, rema contra a maré da crise. A dita chama-se JP Sá Couto e tornou-se conhecida por ser a produtora do célebre computador Magalhães, idolatrado por José Sócrates, e por notícias que a dão como indiciada num processo de fraude fiscal (que a mesma nega).
Para a posteridade ficam os números que assinalam o crescimento da JP Sá Couto e a prova de que o Magalhães é mesmo um verdadeiro milagre das rosas…:
“A ocupar o terceiro lugar do ranking do mercado nacional de PCs encontra-se a empresa nacional JP Sá Couto, que, em função da adesão ao portátil Magalhães, observou um crescimento de 433,3% em 2008 face a 2007, com 191 mil unidades vendidas”.
“O aumento das vendas reflectiu-se no crescimento da sua quota de mercado de 3,5% em 2007, para 11,7% em 2008″.
“A maior taxa de crescimento no mercado nacional dos portáteis pertence, no entanto, à JP Sá Couto, situada em quarto lugar do ranking IDC, que cresceu 1294,2%, em 2008 face a 2007, passando das 11,5 mil unidades vendidas para as 159,8 mil”.
Empresas como a Quimonda ou a Fábrica Bordalo Pinheiro adorariam ter produzido o seu milagre… Digo eu!
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Publicado por pbessa em Fevereiro 5, 2009
O despedimento de trabalhadores em Portugal, e não só, parece ser a fórmula mágica que muitos pequenos, médios e grandes empresários escolheram para sobreviverem à “crise”.
A “crise” foi, aliás, uma bênção para muitos deles. Diariamente, centenas de trabalhadores estão a ser sacrificados em nome da “crise”, grande parte dos quais por empresas que não alegam, propriamente, prejuízos, mas antes quebra nos lucros. E classificam a dispensa de funcionários, que durante anos foram a carne que alimentou o canhão desses mesmos lucros, como uma medida de precaução… A tudo isto, o Estado assiste impávido, desviando a sua atenção para a necessidade de salvar bancos geridos por “doutores” de colarinho branco, que deviam estar há muito na cadeia.
A pulhice está à solta e não dá mostras de poder parar. A “responsabilidade social” das empresas deixou de existir e o que importa é assegurar que os lucros se mantêm lá em cima, mesmo em tempo de “crise”. Essa, vai para a conta dos trabalhadores, afinal o elo mais fraco deste sistema moralmente falido.
Como é possível entender que as empresas optem por pagar indemnizações aos trabalhadores, em vez de aproveitarem esse dinheiro para manter os postos de trabalho?
Eu entendo. E porque o entendo é que tenho a certeza de que o pior está para vir. Muito pior. Quando o fim da “crise” começar a permitir a contratação de trabalhadores, estes vão ser contratados com salários mais baixos e em situação de precariedade mais agravada. Até porque a procura vai ser muita… E, então, os lucros das empresas vão poder subir mais ainda, ao mesmo tempo que a força dos trabalhadores será cada vez mais frágil.
Aliás, essa é já uma tendência que vem do final do século passado. Basta recordar a perda de direitos e o aumento da precariedade a que se vem assistindo, sobretudo desde os anos 80. A par da estagnação dos salários e do poder de compra do português comum (por mim falo, que ganho hoje praticamente o mesmo que há 15 anos).
São os pulhas em todo o seu esplendor. É o individualismo da sociedade ocidental na sua máxima força. E isto vai acabar mal. Tenho a certeza que vai… Só espero que seja rápido e que Portugal, como de costume, não fique para trás.
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Publicado por pbessa em Fevereiro 3, 2009
Para quem se preocupa com o estado em que se encontra Portugal, aconselho a leitura das crónicas de Vital Moreira e Miguel Esteves Cardoso – sobre assuntos diferentes – na edição de hoje do jornal Público. Não estão acessíveis na internet (salvo para quem queira pagar…), mas não se perde nada em comprar o jornal. Bem pelo contrário, passe a publicidade.
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Publicado por pbessa em Fevereiro 2, 2009
O fotojornalista Zoriah esteve, durante o mês de Janeiro, no Quénia. Ali testemunhou a forma vibrante como foi acompanhada a eleição de Barack Obama, a fome e outras misérias. Tudo relatado no seu extraordinário blog. É o planeta (infelizmente) real. E é, também, o testemunho do melhor jornalismo do mundo. A não perder aqui.
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