Hotel das Ideias

Ambiente acolhedor para reflectir…

O Portugal de Paulo Portas

Posted by pbessa em Julho 28, 2008

Foto: Gonçalo Lobo Pinheiro (imagem retirada da internet)

 

Há quem defenda que, hoje em dia, já não se pode falar em ideologias políticas. E que deixou de haver direita e esquerda. Pois, felizmente, parece-me que ainda não chegamos a esse ponto, embora essa coisa estranha chamada “centro” seja, de facto, um terreno muito confortável para quem gosta de colher votos no céu e no inferno…

Vem isto a propósito da anunciada vontade de Paulo Portas, noticiada pelo SOL, solicitar uma investigação de fundo sobre o funcionamento do rendimento social de inserção (ou “rendimento mínimo”). Seleccionei algumas das frases do líder do CDS/PP elucidativas sobre os motivos que o levam a desconfiar do RSI:

 

“Há um Portugal que trabalha no duro e há outro Portugal em idade de trabalhar que vive à conta do Estado”

[A proposta é] “em defesa do Portugal que trabalha, que luta diariamente para conseguir cumprir o seu orçamento, que paga os seus impostos e cumpre com as suas obrigações”

“O Portugal que trabalha vê ao lado pessoas em idade de trabalhar receberem benefícios do Estado e que fazem pouco esforço para conseguir melhorar a sua própria situação”

 

Estas três afirmações de Paulo Portas demonstram, claramente, aquilo que distingue a direita da esquerda:

1º O líder do CDS/PP não é capaz de imaginar que vive num Portugal onde as portas do emprego se fecham aos jovens “com idade de trabalhar”. E que um Estado de bem deve ser socialmente solidário, sobretudo quando esse Estado tem responsabilidades no cartório…

2º Paulo Portas parece culpar os beneficiários do RSI por todos os males deste país (vá lá, desta vez não são os imigrantes…), esquecendo que quem trabalha e paga impostos é prejudicado, sobretudo, por quem foge aos impostos, apesar de ganhar milhões. Refiro-me, por exemplo, a milhares de empresários e a milhares de Portugueses que apresentam dois tipos de orçamento (“x” sem recibo, “y” com recibo…). Alguns até são vedetas do espectáculo, porventura amigos da farra “socialite” em que se move Paulo Portas!

3º Paulo Portas esquece que as oportunidades são necessárias para que, muitas vezes, se consiga melhorar a situação. Se Portugal não oferece oportunidades, pouco mais resta a milhares de jovens (e não só) portugueses que viver de biscates e da solidariedade do Estado. 

Não pensar nestes “pormenores” é típico da direita e é isso que a distingue da esquerda. São, entre outras características, conceitos de solidariedade social que distanciam estas duas visões do mundo. Não basta ir à feira e dar duas de letra com quem por lá passa ou trabalha. É preciso ir a casa das pessoas, conhecer a realidade social em que se inserem. E não só em tempo de campanha eleitoral.

Pena é que Paulo Portas não peça uma investigação de fundo às regalias dos gestores das empresas públicas e, já agora, dos deputados da Assembleia da República. 

Até porque há um Portugal que trabalha no duro durante quase 40 anos para ter uma reforma miserável e há outro Portugal que ao fim de meia dúzia de anos de serviço público (leia-se deputados à Assembleia da República) tem assegurada uma choruda reforma para toda a vida.

É tudo uma questão de perspectiva, o que não implica que deixe de se fiscalizar com rigor e em permanência o funcionamento do rendimento social de inserção.

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2 Respostas para “O Portugal de Paulo Portas”

  1. LILI said

    Subscrevo totalmente as suas palavras e até estou a pensar em requerer o RSI porque sou uma jovem licenciada e para onde quer que vá as respostas são sempre as mesmas: ou tenho habilitações literárias a mais ou falta-me experiência profissional. Oras, mas eu pergunto-me! Como posso ter experiência profissional se ninguém me dá emprego? Talvez deva apanhar o senhor Paulo Portas numa das feiras em que ele aparece de quatro e em quatro anos e pedir-lhe um emprego no PP. Até nem me importo de ficar especada, cinco metros atrás, de braços cruzados e a ouvi-lo falar enquanto os repórteres de televisão o entrevistam, coisa que os cerca de cinco militantes do seu partido conseguem fazer sem muito esforço nas suas campanhas eleitorais parcas de políticas de bom-senso. Eles que nada fazem, nada sabem, mas que por serem amiguinhos e companheiros de copos conseguem sugar-lhe um lugar sem muito esforço e ainda ganhar algum com isso.
    Esse senhor devia era ter vergonha na cara ao falar das pessoas que recebem o rendimento mínimo (um pequeno aparte, a maioria desses rendimentos não chega sequer aos cem euros mensais) quando ficou mais do que provado o seu envolvimento no caso da universidade independente e do magnífico jaguar verdinho zero quilómetros que recebeu como presente há vários anos atrás.
    Porque não voltar a investigar também este caso? Os submarinos que quis comprar e todo o dinheiro que os ministros do seu partido fizeram questão de papar enquanto estiveram no governo do PSD?
    Realmente ouvir as declarações deste político racista, preconceituoso e arrogante, que em muito me fazem lembrar o excelentíssimo senhor Adolf Hitler, embora o último fosse um muito menos hipócrita do que esse Portas, fazem-me rir e refazer novas questões?
    Será que também ele não está a viver às custas do estado quando mais de metade de Portugal anda a trabalhar para ele? Será que ele paga impostos? Trabalha arduamente e tem uma mulher e vários filhos para sustentar? Será que ele recebe 450 euros por mês quando tem uma renda de 500 euros para pagar e se desespera por não poder corresponder às necessidades mais básicas da sua família?
    Oras, poupe-me porque falar de barriga cheia é muito fácil. Pegue numa inchada, meta-se atrás de uma caixa de supermercado, vá trabalhar num centro comercial até à meia-noite, enfrente a hora de ponta nos transportes públicos e depois volte à sua vidinha medíocre de quem sempre tudo teve para ver se não dá mais valor ao povinho que o senhor anda a beijar nas feiras.

    Despeço-me com enormes saudações e dizendo:

    “Viva o Rendimento Mínimo…”

  2. LILI said

    Peço desculpas quando falei sobre a universidade independente. Não era essa universidade mas sim a Universidade Moderna, o que de todo não retira a veracidade das minhas afirmações.

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